terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Carnaval - Um Pouco de História



Por mais que se pesquise, a história do início do carnaval se perdeu no tempo, porém temos alguns indícios de como esta festa popular pode ter começado, segundo a maioria dos autores que estudam o tema.

Os Pagãos já promoviam festas há mais de 4 mil anos,
semelhantes aos "carnavais" de hoje.

Há mais de 4 mil anos ( nos meados de 600 a 520 a.C.) antes de Cristo, os Pagãos promoviam festas onde as pessoas pintavam os rostos, dançavam e bebiam ao redor de fogueiras, para comemorar as colheitas ou para celebrar acontecimentos religiosos. No Egito já era hábito se fantasiar com máscaras e adereços e pintar o corpo para cultuar Osíris e Ísis pelo recuo das águas do Nilo, para semear o trigo; na Grécia as honras eram para Dionísio, deus de vinho e da loucura e para Momo, deus do sarcasmo e do delírio.

Pã (Lupércio em Roma) era o deus dos bosques,
dos campos, dos rebanhos e dos pastores
na mitologia grega.

Em Roma, que adotou diversas divindades gregas, a festa era para Júpiter – o deus dos deuses; Carna, a deusa romana da saúde e da sobrevivência; para Pã (deus dos bosques) para Baco (do vinho) e também para Momo, em festivais chamados de Lupercais e Bacanais ou Dionísicas.

As celebrações eram feitas com sacrifícios de animais (e até de humanos, como era feito com o Momo), bebidas e comidas em excessos, onde a nudez pública e sexo desenfreado foram sendo incorporados.
Não havia nenhuma punição nos três dias de festas, até que o Momo, fosse sacrificado em honra a Saturno na festa chamada Saturnália, que anunciava o fim do inverno e a volta do sol.

Lupercais, Bacanais ou Dionísicas e
Saturnálias, eram festas romanas.

Assim, três dias eram de total permissividade e, depois, a tristeza e a morte (do momo) no quarto dia (o que pode também ter dado origem à atual quarta-feira de cinzas).

Em meados de fevereiro, também havia um festival romano do "pão, da fornalha" e da vegetação: a Fornacália que festejava a primavera e o renascer da natureza. No início era uma comemoração de caráter religioso, mas depois essa festa degenerou para orgia.

As orgias nas festas romanas

Provavelmente, foram esses tipos de celebrações que deram origem ao carnaval.

Os egípcios, os gregos e os romanos estavam crentes que homenageavam seus deuses, mas na verdade, adquiriam autoridade para roubar, matar e destruir, nestes dias de festas, inclusive com a anuência de autoridades como no século VI a.C., Pisístrato, o tirano de Atenas, passou a homenagear Dionísioconstruindo um templo na Acrópole, o teatro Dionísio, que abrigaria concursos de peças cômicas ou dramáticas.  Depois os romanos, também tiveram a complacência de César, 100 a.C.-44 a.C., quando permitia a escolha do melhor soldado para ser o “Rei Momo”, mesmo que este fosse, depois das festas, sacrificado.

Os grandes festivais romanos.

A Igreja também deu sua aprovação pois, não podendo acabar com as festas pagãs, a igreja católica resolve oficializá-la- do século VI d.C. até o século XVIII d.C.-incorporando-a no seu calendário, provavelmente, também para poder cobrar com mais rigor, os quarenta dias de penitência e jejum durante a Quaresma.  
 
O Rei Momo, aquele que
Comanda as festas de Carnaval.

A Palavra “Carnaval”

Para a palavra Carnaval, também existem divergências entre os estudiosos:
a) Pode ter-se originado de CARRUM NAVALIS, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C.;
b) ou viria de KANE ou KARTH ou "lugar santo " (isto é comunidade pagã, os deuses e seus seguidores) e de VAL ou WAL ou morto, assassinado, quer dizer procissão dos deuses mortos, uma espécie de procissão de almas errantes do purgatório identificada desde o século XI;
c) Pode ter também sido dado em função das Festas em homenagens a deusa romana Carna, já que ela representava a realidade carnal da existência humana
d) outra explicação seria que entre os ano de 590 - 604 d.C., o papa Gregório I definiu que, num período do ano, os fiéis deveriam se dedicar exclusivamente às questões espirituais. Seriam 40 dias em que se deveria evitar sexo, carnes vermelhas e festas, até mesmo das diversões, como circo ou teatro.
*  Em 1138, a irmandade católica resolve implantar a Semana Santa e definiu as datas oficiais da chamada 'Quaresma', e o primeiro dia dela se chamaria ‘quarta-feira de cinzas’.
 
O Início do Carnaval.

Aconteceu que os dias antes dessa quarta-feira começaram a ser de intenso consumo de carnes, bebidas e de festa. “As ruas enchiam-se de gente fazendo tudo aquilo que não se devia ou não se podia fazer durante o resto do ano. A esse período deu-se o nome de ‘adeus à carne’, “tirar a carne” ou ‘carne vale’ em italiano, que, depois, passou a ser ‘carnevale’-“carnaval”

Assim a palavra "carnaval" ficou, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres.

Famoso Carnaval em Veneza- Itália.

DATA

Pelo calendário gregoriano, o domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a sexta-feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa (quarenta dias de Quaresma e mais a Semana Santa) Todos os feriados eclesiásticos são calculados em função da data da Páscoa, com exceção do Natal.

A beleza do carnaval veneziano.

Curiosidades

O baile de máscaras foi introduzido pelo papa Paulo II, no século XV, em pleno Renascimento, mas ganhou força e tradição no século seguinte, por causa do sucesso da Commedia dell'Arte - uma forma de teatro popular improvisado, que começou na Itália, se desenvolveu depois na França e que se manteve popular até o século 18. E é neste século que aparecem três grandes personagens do carnaval: a Colombina, o Pierrô e o Arlequim que tem origem nesta Comédia Italiana.

O Arlequim, o Pierrô e a Colombina.

Na Europa um dos principais rituais de Carnaval foi o Entrudo. A palavra vem do latim e significa início, começo, a abertura da Quaresma. Existe desde 590 d.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum. Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e o máximo de sua violência e falta de respeito aconteceu em Portugal, nos séculos XVII e XVIII. As pessoas atiravam água suja e ovos das janelas dos sobrados e balcões. Nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.

Entrudo - Abertura da Quaresma.

Carnaval no Brasil

O carnaval não veio com os escravos como muitos pensam. A origem aqui se deve ao entrudo português que chegou com as caravelas da colonização (1641). Recebeu também influências das mascaradas italianas, e somente no século XX é que recebeu elementos africanos.

Entrudo no Brasil Antigo.

Entrudo: era uma festa cheia de inconveniências da qual participavam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Após intervenções e advertências da Igreja Católica, os banhos de água suja foram sendo substituídos por limões de cheiro, esferas de cera com água perfumada ou água de rosas. Esses frascos deram origem ao lança-perfume, de origem francesa.

As lindas máscaras de Veneza - Itália.

Criado em 1885, os lança-perfumes chegam ao Brasil nos primeiros anos do século XX. Para substituir as grosserias do entrudo, vieram as guerras de flores, de papel e os carros alegóricos. As máscaras e fantasias começaram a aparecer na primeira metade do século XIX, por influência da moda européia, especialmente de Paris e de Veneza.

Antigo convite para o Carnaval.

O primeiro baile de máscaras do Brasil foi realizado pelo Hotel Itália, no Largo do Rocio, RJ em 1840, pelos proprietários italianos, com muito sucesso. Dos salões, os bailes transferiram-se aos teatros, animados principalmente pelo ritmo da polca - primeiro gênero a ser adotado como música carnavalesca no Brasil - e depois, envolvidos pelo som da quadrilha, da valsa, do tango, do "cake walk", do "charleston" e do maxixe. Até então, esses ritmos eram executados apenas em versão instrumental.

Carnavais no Rio Antigo - RJ - BR.

Por volta de 1880 os bailes passaram a incluir a versão cantada, entoada pelos coros. Em 1899, Inspirada pela cadência rítmica dos ranchos e cordões, surge a primeira música feita exclusivamente para o carnaval: a marchinha, "Ó Abre Alas", composta pela maestrina Chiquinha Gonzaga. As marchinhas reinaram até a década de 60 quando são substituídas pelo samba.

Foliões de carro, no Brasil, na década 20- 30.


Na chegada do século XX surgiu o Corso: em desfile caminhões e carros abertos, com ou sem decoração, carregam foliões pela recém inaugurada Av. Central, no Rio de Janeiro.

E surge o Samba brasileiro.

No bairro do Estácio (RJ) foi onde surgiu o ritmo que iria dar um novo tom ao Carnaval, e viria a se consagrar como uma das marcas registradas da música brasileira: o SAMBA.

1920 - As primeiras escolas de samba no Brasil

As Escolas de Samba

O carnaval de rua se consolida no Rio nas primeiras décadas do século XX. Sociedades desfilam seus enredos com fantasias em carros alegóricos. Os blocos aparecem como diversão da população dos subúrbios e dos morros. Junta-se isso tudo e em 1920 aparecem as escolas de samba.

Os famosos bonecos de Olinda - PE - BR

O Carnaval no Brasil hoje

Por ter na sua origem a influência de muitos povos, com costumes e tradições diferentes, é que o carnaval no Brasil assumiu muitas particularidades, evidentes nas diversas regiões, tornando-se um dos carnavais mais famosos do mundo, atraindo milhares de pessoas de todos os continentes.


As concorridas escolas de samba do Rio - RJ - BR.
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Pesquisado e Compilado por Geni Mafra Souza.
Terapeuta, Taróloga, jogo também para aconselhamento:
Runas e Tarô de Florais de Bach; Mestre Reiki,
e facilitadora de Renascimento pela Respiração. 


Fontes Bibliográficas:
FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.
MORAES, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record, (1958) 1987.
BAKHTIN, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de
François Rabelais. Tradução de Yara Frateschi Vieira. São Paulo/Brasília: Hucitec/EditoraUniversidade de Brasília, 2008.
MATTA, Roberto da. Carnavais, Malandros e Heróis. 4ª edição; Rio de Janeiro: Zahar Editores S.A; 1997.
FAUR, Mirella. O Anuário da Grande Mãe, 2ª edição, São Paulo, Gaia, 2001..

Fontes na Net:
www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/57HistCarn.htm
pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval
pt.wikipedia.org/wiki/Pã_(mitologia)
opiniaoenoticia.com.br/cultura/historia-do-carnaval-no-mundo/
www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br/carnaval.htm
revistadocambuci.net/.../266-conheca-a-verdadeira-origem-do-carna...

Imagens Net.

2 comentários:

  1. Como sou um apreciador do carnaval, me deleitei em ler essas informações históricas!! Parabéns, Geni, pela pesquisa e compartilhamento! Como sempre, muito bom trabalho!Beijos! Wallie

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  2. Olá Wallie,

    Receber um elogio teu, com seu conhecimento tão profundo, muito me honra.
    Alguns deste livros ai citados são do Historiador da casa que me indicou e emprestou, bom isso não é?
    Obrigada pela visita e pelo comentário.
    Abençoado sejas!!!
    Abçs
    Gení

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